quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Farmácia

A demanda por farmacêuticos no Brasil é muito ampla, até porque o país encontra-se entre os cinco maiores consumidores de medicamentos no mundo. Descubra as várias áreas em que um graduado em Farmácia pode atuar.



busca pela cura das doenças tem sido uma das maiores preocupações do homem desde os primórdios da humanidade. Para alguns pesquisadores, a descoberta do fogo e a utilização de recursos naturais para aliviar dores humanas ocupam espaço semelhante na linha do tempo. Por isso, a Farmácia é considerada uma das profissões mais antigas da Humanidade. No Brasil, o primeiro curso de Farmácia surgiu em 1832, na Universidade do Brasil, atual UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Porém, a profissão só foi regulamentada quase cem anos depois, em 1931.
Além de estar entre os cinco maiores consumidores de medicamentos no mundo, o Brasil é o país onde a relação de farmácias por habitante é a maior do mundo. Em território nacional, são mais de 50 mil farmácias e drogarias, em média uma para cada 3.000 habitantes, mais que o dobro recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Esses números ressaltam a importância do farmacêutico no país.
Há algumas décadas, o farmacêutico era considerado apenas o conselheiro das famílias, estereótipo que tem sido transformado nos dias atuais, com o profissional passando a desempenhar diversas funções no mercado de trabalho. Hoje, o farmacêutico participa de toda a cadeia produtiva de um medicamento, desde a sua fabricação até a distribuição.
"Dentro da formação de um farmacêutico existem três habilitações: Farmácia Social, voltada ao atendimento; Farmácia Industrial; e Bioquímica, que tem duas sub-áreas, a de alimentos e de análises clínicas. Mas, hoje, a maioria das faculdades forma o profissional para a área Social e Indústria. Para ter alguma outra habilitação o aluno precisa passar pelo menos mais um ano dentro da universidade", afirma o coordenador do curso de Farmácia da UFF (Universidade Federal Fluminense), Antonio Sergio Aymoré.
Segundo levantamento feito pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), existem, atualmente, 211 cursos de Farmácia no Brasil. O total de matrículas anuais é de 54.297, contrapondo-se bastante ao número de concluintes, 9.703. Em média, os cursos tem duração de quatro anos, com carga horária de aproximadamente 4.200 horas, contando as horas de estágio obrigatório. As matérias principais da graduação são: química, bioquímica, fisico-química, biologia, microbiologia e imunologia, parasitologia e anatomia.
Para os interessados, Aymoré explica que a área " mãe" do farmacêutico é o atendimento, mas existem diversas outras áreas em que o profissional pode atuar . "São inúmeras as possibilidades de atuação. Podem trabalhar em farmácias de dispensação ou drogarias, farmácias de manipulação, homeopáticas, hospitalares, laboratórios de análises clínicas. Além de também operar na fabricação de produtos biológicos imunoterápicos e produção de soros e vacinas", diz. "E pode, ainda, prestar serviços em vigilância sanitária, universidades e institutos de pesquisa. Dentro de cada uma desses estabelecimentos o profissional pode desenvolver diversas tarefas."
O coordenador relata que, na medida em que as oportunidades de trabalho para os farmacêuticos aumentaram, proliferou-se o número de cursos universitários no Brasil - e, por consequência, o número de profissionais no mercado. "O mercado ainda não está saturado, mas, no ritmo de crescimento atual, essa possibilidade não está muito distante", conta Aymoré. "Diria que aproximadamente 90% dos profissionais recém-formados ingressam no mercado de trabalho. Os demais não ingressam por opção. Alguns desistem e mudam de área e outros optam por uma especialização antes de encararem o mercado", acrescenta.
Para o professor Aymoré, o mercado é mais promissor nas regiões mais populosas e de maiores recursos, como é o caso do Sul e Sudeste. "Mas a tendência é que no futuro ocorra um processo de interiorização. Com a nova legislação, cada farmácia precisa ter obrigatoriamente um farmacêutico responsável, que deve estar à disposição durante todo o período de atendimento ao público. Por isso, está ocorrendo uma demanda maior por profissionais em todo país", assegura.
A remuneração dos recém-formados, atualmente, é de R$ 1.700, valor determinado pelo CFF (Conselho Federal de Farmácia). Mas, como em todas as áreas, o salário de um Farmacêutico varia de acordo com a área em que atua, com a empresa e com a sua formação.
O professor Aymoré também alerta aos interessados que, para atuar na área, é necessário, primordialmente, ter ética. "A conscientização e a ética são coisas importantes de se desenvolver em qualquer profissional, inclusive na farmácia. Nós trabalhamos com a saúde de seres humanos, se não tivermos a noção de ética e nem a noção da necessidade de nossa dedicação, fica difícil atuarmos de forma eficiente", finaliza.

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